Durante muito tempo, acreditou-se que o bebê sentia pouca dor, ou que a esquecia logo. Hoje se sabe que não é assim: a criança sente dor desde o nascimento. A diferença é que, quanto menor ela é, menos consegue dizer com palavras o que está sentindo, e mais a dor aparece pelo corpo e pelo comportamento.
Resposta rápida: a criança sente dor desde que nasce. Quando ainda não fala, ela mostra a dor pelo choro, pela irritação, por mudanças no sono e no apetite e pela forma como protege o corpo. Reconhecer a dor cedo ajuda a cuidar melhor. A dor que se repete, que não passa ou que vem acompanhada de outros sinais merece avaliação do pediatra. Este texto ajuda a observar e a decidir a hora de procurar ajuda, e não substitui a consulta.
Por que a dor na criança costuma ser subestimada
A dor da criança é menos valorizada por alguns motivos somados: há a dificuldade real de reconhecer a dor na criança que ainda não fala, que não consegue explicar o que sente; a criança maior às vezes minimiza por medo do médico ou da injeção; e existe a ideia antiga de que "criança esquece" ou de que "é só manha". O resultado é que a dor pode passar despercebida justamente em quem tem menos recursos para pedir ajuda.
Levar a dor a sério não é alarmar-se com qualquer desconforto. É observar com atenção e não descartar o que a criança comunica, do seu jeito.
Como a criança demonstra dor em cada fase
A forma de expressar a dor muda com a idade:
- O bebê e a criança que ainda não fala. A dor aparece no choro, que pode ficar diferente do habitual, na irritação, na dificuldade para se acalmar, em mudanças no sono e no apetite, na expressão do rosto e na forma de proteger uma parte do corpo, evitando mexer onde dói.
- A criança que já fala. Ela consegue apontar e nomear a dor, mas nem sempre o faz. Pode ter medo da consulta, pode minimizar para não tomar remédio, ou pode não ter palavras para descrever o tipo de dor. Observar o comportamento continua importante nessa idade.
Ninguém conhece a criança como a família. Perceber que "ela não está do jeito de sempre" já é uma informação valiosa para a consulta.
Dor que passa e dor que se repete
Nem toda dor é igual. Uma dor passageira, ligada a uma situação conhecida, costuma melhorar sozinha. Já a dor que se repete com frequência, que não passa, que atrapalha o sono, a alimentação ou as brincadeiras, ou que vem junto com outros sinais, é a que mais merece avaliação. O pediatra ajuda a entender o conjunto e a investigar quando é preciso.
O que a família pode fazer, e o que evitar
O papel da família é observar e procurar orientação, não tratar por conta própria. Vale anotar quando a dor aparece, o que parece melhorar ou piorar, e levar essas observações à consulta. O que convém evitar é oferecer medicamentos sem orientação do pediatra e naturalizar a queixa como manha. Acolher o que a criança sente, sem dramatizar nem ignorar, já ajuda.
Sinais que pedem avaliação mais rápida
Alguns sinais, quando aparecem junto com a dor, indicam que vale procurar atendimento com mais rapidez:
- dor intensa que não cede;
- febre que persiste;
- vômitos;
- prostração ou sonolência fora do comum;
- dor que surge de forma súbita e forte;
- qualquer mudança que preocupe a família.
Na dúvida sobre a urgência, é melhor procurar avaliação do que esperar.
O papel do pediatra
Cabe ao pediatra avaliar a dor no conjunto da história e do exame da criança, entender a causa e orientar a conduta. Reconhecer e cuidar da dor faz parte do acompanhamento, e tem peso ainda maior no cuidado de crianças com doenças graves e crônicas. É uma das áreas de dedicação da Dra. Clarissa Archanjo, que tem formação em dor e cuidados paliativos pediátricos e acompanha as crianças de forma contínua, presencial na Vila Mariana, em São Paulo, e em São Caetano do Sul, ou por teleconsulta. O atendimento é particular.
Perguntas frequentes
Bebê sente dor?
Sim. A criança sente dor desde o nascimento. Como o bebê ainda não fala, a dor aparece pelo choro, pela irritação e por mudanças no sono, no apetite e na forma de proteger o corpo.
Como sei se a dor do meu filho é algo sério?
Nem toda dor é sinal de algo grave, mas a dor que se repete, que não passa, que atrapalha o sono e a alimentação ou que vem com outros sinais merece avaliação do pediatra. Observar o conjunto é mais útil do que olhar um sintoma isolado.
Posso dar algum remédio para a dor antes de procurar o médico?
O ideal é não oferecer medicamentos sem orientação do pediatra. A conduta depende da causa, da idade e do peso da criança, e isso é definido na consulta. Até lá, observar e anotar o que acontece ajuda bastante.
Quando devo procurar atendimento com urgência?
Diante de dor intensa que não cede, febre que persiste, vômitos, prostração ou sonolência fora do comum, dor súbita e forte, ou qualquer mudança que preocupe a família, é melhor procurar avaliação sem esperar.
Fontes consultadas
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Documentos científicos sobre avaliação e manejo da dor na criança e no adolescente.
- Ministério da Saúde. Materiais de atenção à saúde da criança.
- Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics). Recomendações sobre reconhecimento e avaliação da dor em pediatria.
